Morte Magra

Fonte: Feminismo na rede

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Perdas e ganhos da mulher moderna # 2

Na segunda parte da entrevista com Mary Del Priore, a historiadora afirma que as mulheres ganharam poder ao longo do tempo, mas se tornaram submissas ao espelho e aos padrões de beleza. Mary del Priori mostra a origem da Lipofobia no Brasil e as consequências disso para as mulheres brasileiras.

O que você pensa sobre isso? Deixe aqui a sua opinião:

Como estar na moda sem disfarçar as gordurinhas?

Adele fará parte do processo de criação da nova coleção da marca britânica Burbery. O diretor da marca, Christopher Beiley fez questão de convidá-la pessoalmente para trabalhar ao seu lado em uma linha “sob medida” dedicada às clientes “plus size”. Será que a moda está se abrindo para as mais cheinhas? Tenho certa desconfiança em relação a isso, mas confesso que estou curiosa para ver o resultado dessa parceria.

Lembro que há pouco tempo tive contato com uma consultora de moda e todas as dicas que ela dava sobre as vestimentas se resumia a disfarçar e esconder as gordurinhas. Listras verticais, cores escuras ou cortes retos era algumas das dicas para alongar a silhueta e ficar “linda” com o look. Confesso que me senti extremamente incomodada com as “dicas” e perguntei se a moda realmente estava se democratizando ou simplesmente reforçando o preconceito contra o corpo gordo. Afinal de contas, todo o discurso da moda em relação ao tamanho “GG” se resume a camuflá-lo. Ela veio com todo um discurso sobre a aceitação como se a questão fosse simplesmente minha e a indústria da moda não tivesse nenhuma relação com isso.

Recentemente, os Estados Unidos apontaram uma pesquisa mostrando que as meninas veem mais de 400 anúncios, por dia, dizendo-lhes como elas devem ser! Não sei se algum estudo semelhante já foi realizado no Brasil, mas as imagens de mulheres nas revistas, propagandas e na TV brasileira reforçam uma concepção cultural sobre o corpo feminino, que inclui normas rigidas de beleza, modelos de saúde e regras de comportamento que controlam constantemente as nossas medidas. Dessa forma,  as características atribuídas a  “mulher ideal”  funcionam como uma ordem disciplinadora dos corpos, oferecendo regulamentos práticos para que o corpo seja treinado, moldado e construido a imagem e semelhança das “musas” da midia.

Pertencer (ou não) ao clube das Gostosas define nosso valor social. Por isso, se vc não está dentro dos padrões de beleza, precisa atacar de ilusionista e fingir que é magra, seja se espremendo dentro de uma cinta maldita, seja consumindo a moda que esconde. Confesso que ainda procuro disfarçar meus pneuzinhos e não advogo em favor da adiposidade explicita. Mas, o que não podemos aceitar é uma indústria de moda que favorece a rejeição dos nossos corpos. Que nos leva a ter raiva e vergonha das nossas diferenças. Que nos faz odiá-las. Por isso, gostaria de ver algo realmente novo nesse mercado: uma moda que aceite os nossos próprios limites e que nos dê a possibilidade de tomar decisões inteligentes sobre como vestimos e como queremos nos apresentar socialmente. Trata-se de defender a privacidade dessas escolhas. De promover a idéia de que qualquer coisa que você faz com seu corpo deve vir do cuidado de si e do amor próprio, não da culpa, do julgamento ou da punição. Trata-se de exigir respeito e representatividade, não importa a aparência, a idade ou o tamanho. Essa é a moda que eu gostaria de ver. Para todos nós.

Sugestão dos Mino # 3: Beautiful

Quem foi que disse que os meninos não estão ligados aqui no Ponto GG? Temos uma boa amostra de caras antenados e interessados também em pensar – e discutir – a questão da ditadura estética em que vivemos. Hoje, vamos divulgar aqui a indicação Pedro Navarro: um clip da Christina Aguilera que trata sobre o tema!

Muito obrigada pela indicação, Pedro.Seja sempre bem-vindao ao Ponto GG e não deixe de participar das discussões…

Meninas,  vamos repetir o hino:

You are beautiful no matter what they say
Words can’t bring you down
You are beautiful in every single way
Yes, words can’t bring you down

So don’t you bring me down today.]

Sobrevivendo a violência nossa de cada dia…

Uma grande amiga me perguntou se eu desisti de ser magra. Olhei sem entender muito bem a pergunta e ela me indagou mais uma vez: “se você pudesse escolher seria magra ou gorda”? Respondi que isso não era mais uma questão para mim, mas entendi o seu incômodo. Ela que sempre foi uma mulher gorda, conseguiu emagrecer dezenas de quilos e essa vitória garantiu muitas conquistas, é claro. Mas, o que incomoda é o mecanismo pelo qual ela me olha e se sente no direito de falar para mim: EMAGREÇA! No fundo, ela está aplicando em mim a disciplina social e me ensinando uma lição: “o seu corpo e/ou comportamento são inaceitáveis. Por isso, faça como eu: emagreça”!

Qualquer pessoa que transgrida as normas sociais precisa se adequar as regras de boa convivência.  Portanto, tem que aceitar as cobranças, fazer o famoso “ouvido de snoopy”  e sentir-se feliz se for aceito pelo ambiente em que circula. Se a pessoa rejeita a invisibilidade social e corporal, ela precisa ser lembrada deste olhar social onisciente e deve ser punida para que não transgrida a norma novamente. Essa é a razão pela qual um sujeito se sente no direito de gritar “Balofa”, quando vê uma gordinha na rua. Ou de fazer  piadas, se uma gordinha está livre, leve e solta de biquíni na  praia. Ou, como lembrou uma outra amiga que vai casar, de ser cobrada para entrar no vestido de noiva porque é inadmissível que ela se case com os quilos a mais.

Em entrevista à Tpm, a Filósofa Marcia Tiburi afirma que o corpo é visto como religião e como tal exige o auto-sacrificio.  “Por isso, uma mulher que não faça dieta é vista como ‘desleixada’. Se ela não se sacrifica, é como se fosse infiel. A gordura é vista como excesso. O sacrifício, seja na academia ou para fazer dietas bizarras, é muito valorizado. Se você não faz esse sacrifício, é visto como um ser menor.” O pecado, portanto, é não se sujeitar a regra da maioria. Não pretendo julgar aqui minha amiga porque sei o quanto a obesidade foi uma questão para ela. Mas, só espero que isso não a torne míope para outras possibilidades.

Uma das melhores ferramentas que temos à nossa disposição para viver além dos próprio corpos – e aprender sobre eles, vindo a deliciar-se com eles – é a experiência. Estou falando sobre a “exploração” ou “experimentação”, chame como quiser, que  se pode ter com o corpo enxergando-o tal como ele é, sem pré-julgamentos, criticas ou desculpas. Comece de uma forma simples: usando um espelho para examinar a si mesma. Deixe sua mente aberta e analise cada parte do seu corpo. Descubra detalhes desconhecidos, olhe com generosidade para si, encontre belezas e curvas interessantes, encare o que você acha feio! Garanto que vai ser uma experiência avassaladora.  Primeiro, vai ter vontade de sair correndo, depois vai chorar, xingar, se maldizer. Mas, de repente, você descobre que é sexy, que tem um colo lindo, uma pele macia, uma bunda incrível e você se vê de repente admirando aquele corpo, que antes parecia detestável.

O segundo passo é se deixar ver.  Jogar fora as roupas pretas, escolher roupas mais ousadas, olhar as pessoas na rua sem medo e descobrir que tem um monte de gente que te deseja e que te quer. Vamos para o terceiro passo, então: permita-se ser tocada, amada, acariciada e aprenda que  é possível ser feliz, ter prazer e fazer um denguinho gostoso, independente dos ponteiros da balança…. Não  é tarefa fácil. Mas, é extremamente libertador quando se permite vivenciar isso. Você vai se questionar se não é mais fácil emagrecer do que lidar com as pequenas violências do dia-a-dia, mas o que garanto  é que uma dia você vai perceber que a única coisa ruim sobre os corpos humanos é a falta de conhecimento sobre eles. Você pode  lutar contra uma cultura obcecada com um padrão de beleza incrivelmente estreita ou viver esperando que uma dieta milagrosa a leve para o mundo perfeito. Mas, nada disso tem sentido se a sua autoestima estiver diretamente vinculado ao olhar – cruel – dos outros. Por isso, entre ser gorda ou ser magra, escolha ser FELIZ!

Sofia, a vida é curta demais para valores tão “PP”!

Estão tentando convencer minha sobrinha Sofia, de 9 anos, que ela é feia porque está acima do peso. Em função disso, ela não quer mais tirar fotos e nem participar da apresentação de street dance porque não se sente bem com a roupa. Por isso, peço licença aos meus leitores para deixar um recadinho para ela:

Sossô, eu podia começar esse post elencando várias mulheres lindas que são gordas ou tentar de convencer que tudo vai ficar bem no “maravilhoso mundo dos gordinhos”. Mas, não vou te iludir: se ficar gorda, você vai ter que conviver com piadinhas, apelidos, com a maldade das crianças criticando o seu corpo, vai ser parada na rua por milhares de outras velhinhas que vão te repreender porque está acima do peso e que ainda vão se sentir no direito de receitar dietas ou remédios “milagrosos”, vai ter que conviver com a vigilância das pessoas nas festas, com o controle constante sobre o seu prato, com a insegurança quando se apaixonar e a pressão para entrar no padrão. O medo da rejeição vai estar presente e você vai ter que arranjar estratégias mil para sobreviver nesse ambiente hostil. Mas, o que você NUNCA pode esquecer é que NINGUEM, mas NINGUEM tem o direito de dizer o que você precisa ser.  Eu só espero que você entenda que se alguém acha você menos bonita porque está acima do peso, é essa pessoa que tem problema e não você!

É você, só você que vai escolher o que vai fazer da sua vida, Sossô. O mundo é fabuloso porque é diverso, porque é complexo, porque é múltiplo. Há pessoas de todos os tipos, cores e texturas. Há infinitas possibilidades e diferentes modos de vida. Definitivamente, não é a balança que vai definir o seu futuro! Ela pode e vai interferir nas suas decisões, mas é VOCÊ que vai escolher o PODER que quer para si. Independente de ser grande, gorda ou magra a escolha será sempre SUA. Se quiser ser a gatinha da turma, vai ter que fechar a boca, correr, fazer exercício. Se não tiver a fim, vai ler, vai estudar, vai conhecer outras culturas, vai se fortalecer para conseguir lidar com a violência do mundo!

Na Grécia antiga, o mundo era separado entre homens de “sangue fino” ou “sangue grosso”. Isso definia o destino de cada um: os de sangue fino eram destinados ao mundo do pensamento e das Artes e os de sangue grosso iam para a luta e para os esportes. Apesar de ser uma imposição social, cada um aprendia a conquistar o seu espaço de acordo com as suas habilidades e diferenças. Qual a moral dessa história? A diferença sempre existirá de um jeito ou de outro. Mas, se você não reconhecer onde está sua força e sua fraqueza nunca irá adiante. O Homem das Artes que quisesse lutar como um guerreiro estava fadado ao fracasso. Assim como o homem do esporte tinha consciência que seu repertório era limitado para discursar numa ágora. Isso não quer dizer que o mundo tem que ser separado em guetos e que um lado não possa transitar no outro. Mas, que cada ser humano tem que assumir o que tem de melhor dentro de si. Você vai descobrir quais as suas particularidades, as suas habilidades e aquilo que tem de melhor. É essa superioridade que você tem que tomar para si. Por isso, se posso te dar algum conselho é: se EMPODERE!

Reconheça seus talentos, assuma a sua beleza – independente do padrão imposto pela mídia – invista na sua inteligência e autoestima. Leia, exercite sua criatividade e sua mente. E, manda para o inferno qualquer pessoa que tente te convencer que você precisa ser igual a todo mundo. É lógico que você precisa entender o que a comida está representando para você, pensar na mensagem que quer passar quando está comendo. Mas, para que você não se torne refém das suas próprias carências. No resto, seja o que você quiser: Gorda ou magra, eu sempre vou te amar.  Você tem o mundo pela frente e todas as possibilidades à sua disposição. Por isso, escolha uma roupa que se sinta bem, suba naquele palco e ARRASE! Eu vou estar lá para ver você sorrindo, brilhando e mostrando para todo mundo que você é muito maior do que esses valores tão “PP”.

Trezentos

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