Sugestão dos Mino # 4: Exemplo de Peso

Marcelo Melo sugeriu para o Blog um caso que tem tido enorme repercussão nos Estados Unidos: a apresentadora Jennifer Livingston, da emissora de TV “WKBT”, chamou a atenção da midia de todo país ao se defender “ao vivo” de um telespactador que a criticava pelo excesso de peso, considerando-a um mau exemplo para os jovens. De acordo com o e-mail do telespectador, “a obesidade é uma das piores escolhas que uma pessoa pode fazer e um dos hábitos mais perigosos para se manter. Portanto, você deve reconsiderar a sua responsabilidade como uma personalidade pública para apresentar e promover um estilo de vida saudável”.

Livingston falou ao programa  “CBS This Morning” na ultima quarta-feira e disse que decidiu falar “ao vivo” sobre essa ofensa pessoal porque esse tipo de comportamento a deixa assustada. “Precisamos ensinar nossas crianças a serem boas, e não críticas, e conseguimos isso por meio de exemplos. Somos melhores do que esse e-mail”. No final, a apresentadora agradeceu ao apoio que recebeu nas redes sociais e dirigiu um discurso às crianças. “Para todas as crianças que se sentem incomodadas, com seu peso, a cor da sua pele, suas preferências sexuais, suas deficiências físicas ou até as espinhas no seu rosto: não sejam derrotadas por bullies. As palavras cruéis de um não são nada comparadas aos gritos de muitos.”

A resposta da apresentadora se tornou um viral e já ultrapassou 8 milhões de visualizações. Confira aqui a resposta da apresentadora ao bullying:

A “musa GG” Beth Dido

Ela não depila as axilas, é lésbica, fuma e bebe no palco, fala o que bem entende e está muito acima do peso ideal, com 110 quilos em 1,57m. Ela é Beth Ditto, vocalista da banda de indie rock The Gossip. Selecionada pela revista britânica NME como a pessoa mais fantástica no Rock e nomeada a “Mulher Mais Sexy do Ano” na NME Awards 2007, Ditto virou musa dos estilistas Karl Lagerfeld, da Chanel – que desenhou roupas exclusivas para ela- e Jean Paul Gaultier.

E a que se deve tanta repercussão? Desde o inicio da banda, Ditto tem sido considerada polêmica por estar tranqüila em relação ao seu corpo e falar abertamente sobre sua homossexualidade. Ela desafia qualquer um que lhe diga como se comportar para chegar ao topo do “showbiz”.

Em entrevista à revista Serafina, no começo desse ano, Ditto afirma que “isso não significa rebeldia, e sim controle sobre a vida”. Sem aceitar o rótulo de gordinha recatada que queriam  empurrar goela abaixo, Ditto  seguiu a carreira levantando a bandeira do homossexualismo e assumindo publicamente o relacionamento problemático que teve, por nove anos, com o DJ transgênero Freddie Fagula, principalmente, “por estar incluída numa indústria musical preconceituosa como a americana”. Para a cantora “Ser gay ainda é um tabu, por mais que as pessoas insistam em fingir que não. Há milhares de gays na música, muitos deles ainda no armário, devido à homofobia. Que há, inclusive, de artista para artista”.

Em relação ao corpo, Ditto já deu declarações a vários sites internacionais falando sobre como venceu o preconceito “quando eu era criança sempre fui considerada bonita. Mas, a puberdade veio como um furacão, trazendo um novo conjunto de regras que eu não conseguia me adaptar. De repente, eu passei da criança bonitinha, para a jovem preguiçosa, desleixada e feia. Até que um dia, durante a adolescência, eu cheguei a conclusão que ou eu passava o  resto da minha vida tentando mudar a mim mesmo ou me aceitava como eu era. Eu escolhi a segunda opção. Eu acredito que eu devo todas as melhores partes da minha vida adulta ao fato de abraçar as minhas imperfeições, mostrando-as”.

Nao é a toa, que Ditto tem se tornado um icone para uma enorme quantidade de jovens, que se identifica com as mesmas questões. E como o marcado não perde tempo, a  cantora acaba de assinar uma linha de maquiagem para a marca de cosméticos M.A.C e planeja também o lançamento de uma grife própria de roupas “plus size”.

Nota

Saiba como proceder em caso de assédio moral

Essa semana estava navegando no Facebook e encontrei um antigo colega de trabalho com uma piada super preconceituosa sobre gordinhas. Ele postou a foto de uma gordinha e depois substituiu a foto da moça por um monte de pneus empilhados. Fiquei tão chocada com a grosseria, que simplesmente removi a figura da minha rede. O bom da rede social é que a gente pode se proteger dos pensamentos tacanhos e das agressões gratuitas simplesmente excluindo ou bloqueando quem faz esse tipo de gracinha. Mas, o que fazer na vida real quando você se sente vítima da discriminação?

Esse mês, a Justiça do Trabalho condenou, em primeira instância, uma empresa de mototáxi a indenizar por dano moral uma ex-funcionária alvo de humilhações por ser obesa. A secretária Nahla Camila do Espírito Santo dos Santos, 29, denunciou uma colega de trabalho que fazia desenhos ridicularizando seu peso. Durante um ano, a secretária aguentou as brincadeiras, mas um dia a colega colou no banheiro o desenho de um elefante, com a frase: ‘Um elefante incomoda muita gente’.

Nahla disse que começou um tratamento psicológico em razão das agressões constantes e sua psicóloga recomendou que ela procurasse a Justiça. Na Polícia, ela foi orientada a notificar, por escrito, o dono da empresa sobre o problema. Mas, nenhuma atitude foi tomada efetivamente e a outra funcionária continuou fazendo as piadas. Por isso, ela saiu do emprego e entrou numa ação contra a empresa por danos morais.

O juiz Gustavo Triandafelides Balthazar entendeu que os danos morais sofridos pela ex-secretária foram comprovados através das provas materiais e o dono foi obrigado a indenizá-la. De acordo com o Juiz, “cabe ao empregador propiciar um ambiente de trabalho saudável, tomando as medidas necessárias, inclusive fiscalizadoras, para que nenhum trabalhador tenha sua dignidade abalada“.

Por isso, caso você conviva com uma situação semelhante, veja como proceder:

  •  Resista: anote com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  •  Dê visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  •  Procure apoio: ele é fundamental dentro e fora da empresa
  • Evite conversar com o agressor, sem testemunhas. Converse com o agressor sempre acompanhado de um colega de trabalho ou representante sindical.
  • Exija por escrito, explicações do ato agressor e permaneça com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mande sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procure seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Recorra ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e conte a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
  • Busque apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.

Sobrevivendo a violência nossa de cada dia…

Uma grande amiga me perguntou se eu desisti de ser magra. Olhei sem entender muito bem a pergunta e ela me indagou mais uma vez: “se você pudesse escolher seria magra ou gorda”? Respondi que isso não era mais uma questão para mim, mas entendi o seu incômodo. Ela que sempre foi uma mulher gorda, conseguiu emagrecer dezenas de quilos e essa vitória garantiu muitas conquistas, é claro. Mas, o que incomoda é o mecanismo pelo qual ela me olha e se sente no direito de falar para mim: EMAGREÇA! No fundo, ela está aplicando em mim a disciplina social e me ensinando uma lição: “o seu corpo e/ou comportamento são inaceitáveis. Por isso, faça como eu: emagreça”!

Qualquer pessoa que transgrida as normas sociais precisa se adequar as regras de boa convivência.  Portanto, tem que aceitar as cobranças, fazer o famoso “ouvido de snoopy”  e sentir-se feliz se for aceito pelo ambiente em que circula. Se a pessoa rejeita a invisibilidade social e corporal, ela precisa ser lembrada deste olhar social onisciente e deve ser punida para que não transgrida a norma novamente. Essa é a razão pela qual um sujeito se sente no direito de gritar “Balofa”, quando vê uma gordinha na rua. Ou de fazer  piadas, se uma gordinha está livre, leve e solta de biquíni na  praia. Ou, como lembrou uma outra amiga que vai casar, de ser cobrada para entrar no vestido de noiva porque é inadmissível que ela se case com os quilos a mais.

Em entrevista à Tpm, a Filósofa Marcia Tiburi afirma que o corpo é visto como religião e como tal exige o auto-sacrificio.  “Por isso, uma mulher que não faça dieta é vista como ‘desleixada’. Se ela não se sacrifica, é como se fosse infiel. A gordura é vista como excesso. O sacrifício, seja na academia ou para fazer dietas bizarras, é muito valorizado. Se você não faz esse sacrifício, é visto como um ser menor.” O pecado, portanto, é não se sujeitar a regra da maioria. Não pretendo julgar aqui minha amiga porque sei o quanto a obesidade foi uma questão para ela. Mas, só espero que isso não a torne míope para outras possibilidades.

Uma das melhores ferramentas que temos à nossa disposição para viver além dos próprio corpos – e aprender sobre eles, vindo a deliciar-se com eles – é a experiência. Estou falando sobre a “exploração” ou “experimentação”, chame como quiser, que  se pode ter com o corpo enxergando-o tal como ele é, sem pré-julgamentos, criticas ou desculpas. Comece de uma forma simples: usando um espelho para examinar a si mesma. Deixe sua mente aberta e analise cada parte do seu corpo. Descubra detalhes desconhecidos, olhe com generosidade para si, encontre belezas e curvas interessantes, encare o que você acha feio! Garanto que vai ser uma experiência avassaladora.  Primeiro, vai ter vontade de sair correndo, depois vai chorar, xingar, se maldizer. Mas, de repente, você descobre que é sexy, que tem um colo lindo, uma pele macia, uma bunda incrível e você se vê de repente admirando aquele corpo, que antes parecia detestável.

O segundo passo é se deixar ver.  Jogar fora as roupas pretas, escolher roupas mais ousadas, olhar as pessoas na rua sem medo e descobrir que tem um monte de gente que te deseja e que te quer. Vamos para o terceiro passo, então: permita-se ser tocada, amada, acariciada e aprenda que  é possível ser feliz, ter prazer e fazer um denguinho gostoso, independente dos ponteiros da balança…. Não  é tarefa fácil. Mas, é extremamente libertador quando se permite vivenciar isso. Você vai se questionar se não é mais fácil emagrecer do que lidar com as pequenas violências do dia-a-dia, mas o que garanto  é que uma dia você vai perceber que a única coisa ruim sobre os corpos humanos é a falta de conhecimento sobre eles. Você pode  lutar contra uma cultura obcecada com um padrão de beleza incrivelmente estreita ou viver esperando que uma dieta milagrosa a leve para o mundo perfeito. Mas, nada disso tem sentido se a sua autoestima estiver diretamente vinculado ao olhar – cruel – dos outros. Por isso, entre ser gorda ou ser magra, escolha ser FELIZ!

Peso e saúde: a construção de uma doença

Hoje fui caminhar com meu cachorro e vi uma quantidade enorme de gordinhas se exercitando, pedalando, tomando o sol e pensei: como podem fazer essas mulheres acreditarem que não são saudáveis? Se você é gordinha, já ouviu diversas vezes a frase: “Nós nos preocupamos com a sua saúde”. Afinal, a gordura é diretamente associada a doença e milhares de estudos tentam provar que os gordos estão com os dias contados. No entanto, pesquisas recentes mostram que pessoas que estão acima do peso não correm necessariamente maior risco de morte a curto prazo do que os indivíduos com peso normal. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que acompanharam mais de 30 mil americanos e canadenses obesos, provaram que a obesidade não afeta todas as pessoas da mesma forma. Obesos que não tenham outros fatores de risco, como hipertensão e diabetes, podem viver exatamente o mesmo número de anos que pessoas de Índice de Massa Corpórea (IMC) normal.

Isso significa que não é possivel definir se uma pessoa é saudável ou não baseando-se apenas em seu peso.  Em entrevista a revista TPM, a nutricionista Marle Alvarenga, diretora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta), afirma que “o que mede a saúde de alguém não é o peso. Mas a taxa de açúcar no sangue, a hereditariedade, uma série de fatores que não podem ser medidos pelo peso. Muitas vezes emagrecer pode ser tudo, menos saudável.  E é preciso entender que ser magra não tem nenhuma ligação com ser saudável.” Independente de ser gorda ou magra, todo mundo precisa comer alimentos saudáveis. Comer alimentos ricos em carboidrato, por exemplo,  eleva os níveis de açúcar no sangue mais rapidamente e  aumenta as chances de diabete. Por isso, um magro que se alimenta basicamente de carboidratos também corre perigo.

Dito isso, vamos agora pensar um pouco mais além sobre o discurso médico aplicado aos corpos. Já disseram que a medicina é uma ciência de grandes verdades transitórias e  isso faz bastante sentido nesse caso. No séc. XIX, ou médicos, os higienistas, os psiquiatras e psicanalistas criaram um conjunto de medidas normatizadoras que definiam o papel da mulher a partir de um viés biológico. Dessa forma, mulheres que não se recusassem em cumprir sua “função natural” da maternidade , fossem sexualmente ativas, tivesse comportamente mais agressivo ou sentissem atração por pessoas do mesmo sexo eram consideradas comportamentos desviantes e estavam inscritas como doentes mentais.  Para esses cientistas, a menstruação, os hormônios e a gravidez faziam com que a mulher estivesse mais propensa a loucura do que homem.

Ao longo do anos, a  histeria, a neurose eram diagnosticados como enfermidades femininas, provocadas pelo meio hormonal. Não foi à toa que Simone de Beauvoir, em o Segundo Sexo, lembrou a todos que “o homem esquece soberbamente que sua anatomia também comporta hormônios”. O controle sobre o corpo feminino sempre esteve presente através de enunciados fisiológicos que estabeleciam os padrões de  normalidade. Nesse sentido, como bem mostra Beauvoir, o corpo feminino foi e continua sendo submetido constantemente a interferências, tabus, valores, costumes. O  que significa que ele precisa se adequar ao discurso vigente sobre o que é normal e, dessa forma, corporificar a ideologia dominante. Portanto, transformar a gorda em uma anomalia faz parte de  um contexto histórico e cultural muito especifico.  A publicidade e o mercado ajudam a criar um ideal de corpo pefeito para que as mulheres consumam cada vez com a ditadura do corpo. Produtos lights, diets, a indústria da moda e dos remédios lucram cada vez com essa busca insana por um corpo esbelto e  aparentemente “saudável”. Sabendo disso, minha amiga GG, saia para caminhar, divirta-se, alimente-se bem e viva com suas curvas de forma a garantir sempre o seu bem estar fisico e mental!

Trezentos

Um espaço para mulheres que pensam Grande!

LuluzinhaCamp

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The Anarcho-Feminist

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Interatividade

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Quadrinhos com Estrogênio

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