“Os homens que agridem as mulheres foram educados para isso”

Essa semana foi divulgado o Mapa da Violência 2012 centrado nos homicídios contra mulheres no país. Os dados são assustadores e colocam o  Brasil na sétima posição mundial do rancking de homicídios femininos, perdendo apenas para El Salvador, Trindad e Tobago, Guatemala, Russia, Colombia e Belize. De 1980 para cá foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres, sendo 43,5 mil só na última década.

Espírito Santo  é o estado com maior indice de crimes contra a mulher, com sua taxa de 9,4 homicídios em cada 100 mil mulheres, mais que duplica a média nacional e quase quadruplica a taxa do Piauí, estado que apresenta o menor índice do país. Os feminicídios geralmente acontecem na esfera doméstica. Em 68,8% dos casos, a agressão aconteceu na residência da vítima, onde prepondera situações de violência, com maior incidência até os 10 anos de idade, e a partir dos 40 anos da mulher.  Em 42,5% do total de agressões contra a mulher, o assassino é o parceiro – ou ex-parceiro – da mulher. Mas, se tomarmos a faixa dos 20 aos 49 anos, 65% das agressões tiveram autoria do parceiro ou do ex.

Os pais são os principais responsáveis pelos incidentes violentos até os 14 anos de idade das vítimas. Nas idades iniciais, até os 4 anos, destaca-se sensivelmente a mãe. A partir dos 10 anos, prepondera a figura paterna. Esse papel paterno vai sendo substituído progressivamente pelo cônjuge e/ou namorado, que preponderam sensivelmente a partir dos 20 anos da mulher até os 59 anos.

Na mesma semana que esses dados foram divulgados, Tony Porter – um ativista americano que luta pelo fim da violência contra as mulheres e fundou a Organização não-governamental “A Call to Men”-  convocou os homens a uma mudança cultural para redefinir o conceito de masculinidade. O objetivo é que eles se engajem para combater o feminicidio e não apenas assistam ao debate promovido pelas mulheres. A primeira missão que o projeto propõe é quebrar os estereótipos impostos pela sociedade. Em entrevista a revista Epoca, Porter afimou que os agressores de mulheres agem de acordo com a definição de masculinidade aprendida em sociedade. Por isso, todos precisam ter outra mentalidade e propagar uma ideia de mundo mais justa entre homens e mulheres.

Para Porter, os homens que agridem as mulheres foram ensinados, de muitas formas, a se interessar pouco pelas experiências e sentimentos das mulheres. “Aprendi o que a maioria dos homens aprende: as mulheres devem nos obedecer, elas são frágeis e têm menos valor. Morei nos bairros do Harlem e do Bronx, onde existia muita violência doméstica. Todo mundo sabia que o vizinho agredia a mulher, mas isso “não era da conta de ninguém”. Era comum a ideia de que cada um age como quer dentro de casa, com a própria família. Eu ouvia comentários do tipo “se ela está apanhando, deve ter feito por merecer”. Cresci rodeado de homens bons, que amavam suas mulheres, mas que não se davam conta de que seu comportamento de inferiorizá-las perpetuava a violência. Eles só estavam fazendo o que os homens sempre fizeram”. Portanto, mudar esse quadro, depende de como homens e mulheres vão se posicionar em relação a isso. E, principalmente, a forma como vão educar seus filhos.

Clique aqui e veja a palestra de Tony Porter no TED.

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