Mulheres negras e pobres sofrem mais risco com o aborto

Uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já interrompeu a gravidez ao menos uma vez na vida. A constatação faz parte da Pesquisa Nacional de Aborto, que recebeu na última semana um prêmio da Organização Pan-americana de Saúde. Financiado pelo Ministério da Saúde, a pesquisa traçou um panorama detalhado sobre prática do aborto no país e revelou as características mais comuns das mulheres que fazem o primeiro aborto: idade de até 19 anos, cor negra e com filhos. A pesquisa revelou também que o método mais usado para induzir o aborto é um medicamento chamado Cytotec.

Coordenado pelo sociólogo Marcelo Medeiros e a antropóloga Débora Diniz, ambos professores da Universidade de Brasília (UnB), o Estudo mostra  que 22% das mulheres entre 35 e 39 anos já induziram aborto em algum momento da vida. No entanto, ele se torna mais freqüente entre mulheres com menor nível de escolaridade, independentemente da filiação religiosa. Aproximadamente metade delas precisou ficar internada. “Esses resultados tiraram o debate de uma discussão moral para uma constatação científica, colocando-o na pauta da saúde pública”, afirma Medeiros ao canal Fio Cruz.

Até o surgimento dessa pesquisa, não havia estatísticas confiáveis sobre o assunto, pois as estimativas sobre o aborto eram feitas com base no número de curetagens realizadas anualmente pelo SUS, multiplicando-as por cinco. Como o aborto é considerado crime, os pesquisadores utilizaram uma metodologia de urna, na qual as entrevistadas não precisavam se identificar e depois depositavam o questionário respondido em uma urna vedada. Dessa forma, foi possível trabalhar com dados mais seguros e chegar a conclusão que mulheres que abortam, com menor nível educacional, têm mais risco de morte do que aquelas com escolaridade mais elevada.

A desigualdade social é um dos indicadores que mais chama mais atenção no dossiê, pois ela também é percebida no acompanhamento durante o procedimento médico. Mulheres negras contavam menos com a  presença dos companheiros do que as mulheres brancas. De acordo com os pesquisadores, “dez mulheres informaram ter abortado sozinhas e sem auxílio, quase todas eram negras, com baixa escolaridade e quatro delas mais jovens que 21 anos”.

Com base no estudo, é possível afirmar que o aborto é um fato comum na vida de mulheres, mas que milhões delas – principalmente as mais pobres – correm riscos nefastos ao chegarem aos hospitais públicos para finalizar um aborto, pois além das condições inseguras, elas têm que enfrentar a discriminação, os maus-tratos e o abandono pelos serviços de saúde. Portanto, a discussão sobre o aborto não pode se restringir a seara religiosa. Ela é uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Afinal, é perverso ignorar as conseqüências que a ilegalidade causa na vida de uma mulher. Milhares de mulheres estão sendo condenadas a morrerem e a adoecerem por não saberem o método mais adequado para interromper a gravidez, o uso correto da dosagem e a falta de acompanhamento médico para um procedimento seguro.

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