Um livro de cartas. Cartas de amor aos nossos corpos

People With Body Parts é  um projeto recém criado por Lexie Bean, que convida as pessoas a falarem através de sua pele, rosto, barriga, do seu câncer ou de qualquer outra parte do corpo considerada “indesejável”. Este livro – e site – com declarações de amor a partes do corpo pretende fazer com que as pessoas enfrentem seus complexos e aceitem suas imperfeições.

Com  o objetivo de descontruir seus complexos, Bean criou um espaço para que todos façam o mesmo. Afinal, os sentimento negativos sobre si mesmo nascem das  interações diárias, quando a gente compreende que é rejeitado socialmente. Criar uma rede de pessoas que compartilham dos mesmos sentimentos é uma forma de tornar o processo de autoaceitação menos solitário. Quando se é gorda, por exemplo, ninguém nunca te incentiva a ser feliz e se valorizar.  Só reforçam que você não é boa o suficiente e precisa emagrecer. A gente ouve que é feia e indesejável e a última coisa que quer é se expor. Por isso, a necessidade de reunir as pessoas que sentem o mesmo, para que juntas promovam a autoconstrução de seus corpos e mentes.

Nossos corpos estão cheios de histórias, que transbordam para os espaços entre nós e os outros. Histórias e identidades que precisam ser reveladas e valorizadas para mudar a forma como olhamos para os outros e a forma como olhamos para o espelho. O livro e o site servem como espaços seguros para que todos possam celebrar e conectar-se consigo mesmos.

Para financiar a publicação do livro e a manutenção do site, a autora do projeto busca parceiros. Se tiverem alguma dúvida sobre o projeto, entrem em contato com attnpeoplewithbodyparts@gmail.com
Clique aqui e veja a carta-manifesto!

Peso e saúde: a construção de uma doença

Hoje fui caminhar com meu cachorro e vi uma quantidade enorme de gordinhas se exercitando, pedalando, tomando o sol e pensei: como podem fazer essas mulheres acreditarem que não são saudáveis? Se você é gordinha, já ouviu diversas vezes a frase: “Nós nos preocupamos com a sua saúde”. Afinal, a gordura é diretamente associada a doença e milhares de estudos tentam provar que os gordos estão com os dias contados. No entanto, pesquisas recentes mostram que pessoas que estão acima do peso não correm necessariamente maior risco de morte a curto prazo do que os indivíduos com peso normal. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que acompanharam mais de 30 mil americanos e canadenses obesos, provaram que a obesidade não afeta todas as pessoas da mesma forma. Obesos que não tenham outros fatores de risco, como hipertensão e diabetes, podem viver exatamente o mesmo número de anos que pessoas de Índice de Massa Corpórea (IMC) normal.

Isso significa que não é possivel definir se uma pessoa é saudável ou não baseando-se apenas em seu peso.  Em entrevista a revista TPM, a nutricionista Marle Alvarenga, diretora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta), afirma que “o que mede a saúde de alguém não é o peso. Mas a taxa de açúcar no sangue, a hereditariedade, uma série de fatores que não podem ser medidos pelo peso. Muitas vezes emagrecer pode ser tudo, menos saudável.  E é preciso entender que ser magra não tem nenhuma ligação com ser saudável.” Independente de ser gorda ou magra, todo mundo precisa comer alimentos saudáveis. Comer alimentos ricos em carboidrato, por exemplo,  eleva os níveis de açúcar no sangue mais rapidamente e  aumenta as chances de diabete. Por isso, um magro que se alimenta basicamente de carboidratos também corre perigo.

Dito isso, vamos agora pensar um pouco mais além sobre o discurso médico aplicado aos corpos. Já disseram que a medicina é uma ciência de grandes verdades transitórias e  isso faz bastante sentido nesse caso. No séc. XIX, ou médicos, os higienistas, os psiquiatras e psicanalistas criaram um conjunto de medidas normatizadoras que definiam o papel da mulher a partir de um viés biológico. Dessa forma, mulheres que não se recusassem em cumprir sua “função natural” da maternidade , fossem sexualmente ativas, tivesse comportamente mais agressivo ou sentissem atração por pessoas do mesmo sexo eram consideradas comportamentos desviantes e estavam inscritas como doentes mentais.  Para esses cientistas, a menstruação, os hormônios e a gravidez faziam com que a mulher estivesse mais propensa a loucura do que homem.

Ao longo do anos, a  histeria, a neurose eram diagnosticados como enfermidades femininas, provocadas pelo meio hormonal. Não foi à toa que Simone de Beauvoir, em o Segundo Sexo, lembrou a todos que “o homem esquece soberbamente que sua anatomia também comporta hormônios”. O controle sobre o corpo feminino sempre esteve presente através de enunciados fisiológicos que estabeleciam os padrões de  normalidade. Nesse sentido, como bem mostra Beauvoir, o corpo feminino foi e continua sendo submetido constantemente a interferências, tabus, valores, costumes. O  que significa que ele precisa se adequar ao discurso vigente sobre o que é normal e, dessa forma, corporificar a ideologia dominante. Portanto, transformar a gorda em uma anomalia faz parte de  um contexto histórico e cultural muito especifico.  A publicidade e o mercado ajudam a criar um ideal de corpo pefeito para que as mulheres consumam cada vez com a ditadura do corpo. Produtos lights, diets, a indústria da moda e dos remédios lucram cada vez com essa busca insana por um corpo esbelto e  aparentemente “saudável”. Sabendo disso, minha amiga GG, saia para caminhar, divirta-se, alimente-se bem e viva com suas curvas de forma a garantir sempre o seu bem estar fisico e mental!

Trezentos

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