“Boa na cama” para quem?

Hoje, vamos falar de sexo. Essa coisinha gostosa que nos faz tão bem…Saiu mais uma dessas milhares de pesquisa que tentam provar que as gordinhas são melhores na cama. A fabricante de camas Silent Night financiou a pesquisa e descobriu que 89% dos homens pensam em ter uma parceira gorda e que as moças de tamanho GG fazem 5 vezes mais peripécias na cama do que as magras. Além da curiosidade para saber como são feitas essas pesquisas, a pergunta que não quer calar é: as gordinhas acham realmente que esse tipo de estudo vai trazer algum beneficio para elas?

Eu até entendo que a gente desenvolve algumas habilidades como diferencial competitivo, mas essa pressão toda para ser a super mega plus femme fatale é um pé no saco! Eu não quero ter mais essa pressão sobre mim. TER que ser boa na cama é uma armadilha tão cuel para a gente quanto ser deixada de lado. O que esta implicito nessas pesquisas é muito simples: “as gordinhas vão fazer de tudo para satisfazê-lo, meu caro. Por isso, elas são melhores!”

Tive uma história no passado e o moço em questão não parava de falar que eu era a mulher mais incrivel que ele já tinha conhecido, que eu era a mulher mais carinhosa,  a mais doce do universo e blá blá blá… Até que um dia ele resolveu contar que só “pegava gordinhas” porque elas se esforçavam mais para agradá-lo. Resultado: broxei na hora, minha gente. A mulher mais doce do universo tornou-se a mulher mais fria da Galáxia. Afinal, o ato sexual pressupõe reciprocidade, troca. Sexo não deve se resumir a um desempenho. Fazer sexo deveria  ser tão natural quanto tomar um banho. Eu não quero ter a preocupação de estar fazendo ou não isso corretamente. Não quero ter o meu desempenho avaliado a cada transa, com plaquinhas levantadas com notas 10,9 ou 8. Eu não quero pensar em quantas piruetas eu vou ter que dar para deixar alguém satisfeito. Nem aceito que institutos de pesquise definam meu comportamente na cama.

O ato sexual não pode se resumir a uma performance, a um espetáculo.  Sexo é alegria, é tesão, é improviso. Eu espero encontrar alguém que não me reprove se eu acidentalmente bater a cabeça na parede, se tropeçar enquanto tiro a roupa ou se a pressão dos meus lábios molhados provocar algum barulho estranho. Afinal, existe uma maneira certa e maneira errada de transar? Eu me abstenho da técnica. Prefiro transar com o meu instinto, com a minha capacidade de entrega, sem ligar para o que esperam do meu estereótipo. Isso não é um teste. Dados estatísticos não são suficientes para provar o que sou ou o que posso ser com alguém que me interessa. A qualidade da transa vai depender da pessoa com quem se está, dos sentimentos envolvidos, da autoestima e de fatores que não podem ser mensurados. Temos ritmos infinitos, combinações distintas, milhares de possibilidades. Por isso, explore cada experiência. Divirta-se! Faça um denguinho gostoso, sem a preocupação de ter que a ser a melhor. E lembre-se do que o velho amigo Foucault nos diz: ‘Talvez possamos também dizer que fazer amor é sentir seu corpo próximo de si mesmo, é finalmente existir fora de qualquer utopia, com toda sua densidade nas mãos do outro“.

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Ana
    ago 28, 2012 @ 14:52:13

    É isso aí, Bia! Na sociedade tecnicista, tecnocrática, burocrática e mala, tem essa obsessão pelos resultados, pelas técnicas, pela aparência, por tudo aquilo que pode ser medido, comparado, classificado. Daí a ênfase no padrão, a necessidade de adaptar o que está fora (mesmo que medicalizando crianças!!!) e a busca pela tal da excelência. Desconfio que isso tudo tem a ver com a necessidade patriarcal de ter controle sobre tudo. O mais louco é que os próprios homens abrem mão da espontaneidade e da liberdade para se manterem no controle das coisas. Uma chateação para todos nós, que só queremos mesmo é ser felizes, curtir os prazeres da vida, saborear massas, maçãs, manhãs, beijos entre lençóis, um bom abraço de um(a) amigo(a) querido(a), o acolhimento da família, a aventura da natureza e a sabedoria da amizade. Considero esta galera que dá ênfase às performances na vida tão ou mais prejudicial para nosso desenvolvimento humano quanto os puritanos. Emendo fazendo coro à sua recomendação: divirta-se! seja feliz! curta! às vezes tudo o que precisamos é de cafuné, e se o cara não for capaz disso, corra dele, porque tem alguém por querendo se divertir genuinamente também, acredite! Besos!

    Responder

    • abbsaraiva
      ago 28, 2012 @ 15:48:06

      Concordo plenamente, Aninha! Essa busca por resultados é completamente insana. Por isso, não dá para aceitar que essa lógica entre na nossa intimidade, na nossa cama! Viva a espontaneidade… Que a gente possa fazer o denguinho gostoso sem se preocupar tanto com essa pressão da perfomance!

      Responder

  2. Cris
    set 06, 2012 @ 02:51:16

    Querida,… estou ha um tempão curtindo seus textos. Delícia viu?
    Agora esse papo de acidendtalmente bater a cabeça na parede ou tropeçar em hora imprópria me parece bastante com vc. Acho que esse por acaso tem data e endereço, heim?!. RSRSRS
    Beijos e adorei estar por aqui,

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  3. abbsaraiva
    set 06, 2012 @ 11:35:26

    Cris, que bom ter vc por aqui também! Hahahahaha… Imagina, Cris, isso foi só uma liberdade poética! 😉

    Responder

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