Sugestão das Mina # 2: Maternidade e sexualidade

A sugestão de hoje foi da Ana Paula Lavos, que pediu para a gente falar sobre o corpo da mulher durante a gravidez e a relação entre maternidade e sexualidade. Para falar sobre o assunto pedi a ajuda da minha amiga de longas datas, Kalu Brum. Kalu é Mãe do Miguel, jornalista,doula, uma militante do parto domiciliar/humanizado e da amamentação. Escreve no site Mamíferas, além de ser mestre de reiki e meditação. Kalu, muito obrigada pelo post e pela disposição em ajudar na manifestação dos mais diversos femininos!

Ponto GG é Parir

por Kalu

Foto: Paula Lyn

Post encomendado pela minha querida amiga, Beatriz Saraiva, para um novo projeto chamado Ponto GG sobre o corpo feminino da mulher grávida.

Passei uma vida brigando com a balança e minhas naturais formas arredondadas. Queria, como as outras, ser magra – loira e alta, de preferência, mas como não se muda genética, magra estava bom. Dietas malucas tão curtas. Períodos PP com mau hálito de fome e humor de bruxa, tudo para virar a princesa que se sonha.

Até que a vida vem e instala uma outra vida dentro da gente. Vieram os enjôos infinitos e um emagrecimento forçado em que, durante vários dias passei com a cara enfiada na privada.

Os seios doloridos e avolumados. O ventre que se arredonda. Estranhamente o corpo redondo revela sensualidade. Todo o corpo sorri em êxtase. A vida toda ele se preparou para este momento de plenitude. Cabelos volumosos, pele brilhante. Gestar é pura sensualidade. Muitas mulheres, é verdade, lidam com total falta de libido. Mas muitas, como eu, experimentam o contrário.

Já não se luta contra o arredondar. A medida que o corpo se avoluma a sensualidade explode. Até que vem o cansaço, o inchaço do fim da jornada. Até que o corpo é inundado com hormônios. Pasmem: os mesmos hormônios que fazem com tenhamos aquele orgasmo sensacional são os mesmos que experimentamos ao parir.

Ao contrário do que diz nossa falsa sociedade, a mãe é mais Maria Madalena do que Virgem Maria. Começam vestidas, acanhadas com seus gemidos baixinhos e terminam gritando e gemendo como mulheres que sabem gozar de corpo e alma. Um parto bem vivido se assemelha a uma cena sexual. Pode parecer estranho, mas o parto é mais uma vivência sexual da vida da mulher.

Aquela vagina apertadinha, depilada dos filmes pornôs que recebem grandes falos, ideal do imaginário masculino, se abre, peluda, para a passagem do bebê. E a mulher que conseguiu ter um ambiente respeitoso, pode até viver a experiência de um orgasmo com a criança ao nascer..

Em nossa sociedade casta, fazem cesáreas e lipoaspirações nas mulheres. Fêmeas que se deitam em ambientes inóspitos para entregarem seus corpos para o símbolo da sociedade patriarcal: o médico que determina a hora que a criança vai nascer, privando a mulher da vivência biológica/sexual. A vagina deve servir apenas ao homem e não a sua função biológica primitiva. Uma vagina que pari é uma vagina aberta (ela volta ao estado natural, viu?!), indesejada.

Como aquela bela mulher magérrima sem vontade nenhuma de fazer sexo que acredita que sua beleza basta para se ter boa transa. Como uma boneca de pano, recebe um falo e finge sentir prazer. Perpetua-se a idéia de que esse é o caminho da felicidade.

Da mesma forma a mulher que por opção ou enganação médica (e poucas, muito poucas que realmente precisaram) deixou de viver a experiência de um parto natural e difundi a idéia das cesáreas indolores, assépticas e programadas. Como as belas mulheres frígidas que passam a  idéia de serem furacões (vale ver Sete dias com Marylin para ver que Moroe era mais uma menina do que um vulcão sexual).

Parto é sexo, já comprovou o obstetra Michel Odent. Para se parir com prazer é preciso das mesmas condições de um ato sexual: pouca luz, ambiente quente, não observação, excluindo médicos dedudos que fazem exames de toque constantemente (ou com seu bisturi mágicos a ejaculação precoce do feto).

Uma mulher parindo exala ocitocina, hormônio do prazer. Gemem, rebolam, sorriem, choram, se entregam, entram em estados alterados de consciência, Transformam-se. Se abrem 10 centímetros e vivem (ou não) a experiência mais inesquecível de suas vidas.

Uma mãe sexualmente potente, desperta, inteira, a receber uma cria nos braços. Com o cordão ainda pulsando, com os olhos abertos, sem choros e separações, segura, sem estar amarrada, o filho no colo, experimentando o êxtase de dar a luz.

Seus corpos GG exibem total sensualidade e internamente, exaustas e felizes sentem o maior “gozo” de suas vidas.

Recentemente vi uma polêmica pesquisa que afirma que as gordinhas são melhores de cama. Lanço uma louca teoria: será que quem pariu também não era ou se tornou? Por aqui as cosias ficaram melhores (passado o puerpério).

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Ana
    ago 28, 2012 @ 15:07:11

    Obrigada, Bia e obrigada, Kalu. É tão legal sentir essa comunhão com outras mulheres que estão procurando resgatar elementos primordiais da nossa vida, como a intuição e uma relação com o corpo que passe pelo respeito integral às nossas emoções, e não por ideias preconcebidas! Muita ocitocina para todas! E muito leitinho para as mamães!

    Responder

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