A piada que estupra

“Como obter sexo anal com sua namorada?”, é assim que começa o vídeo postado no “Testosterona Blog’, patrocinado pela MTV. Video que  ensina como homens podem conseguir sexo anal com a namorada, caso elas recusem: “use um tijolo para deixa-la inconsciente”! No final do vídeo, o Testosterona diz que ‘o sexo anal seria mais gostoso porque é quentinho, apertado e porque é mais humilhante para a mulher’. A “brincadeira” de Edu Mendes – conhecido na rede por publicar conteúdos que incentivam o machismo e diverso outros tipos de preconceitos – foi denunciado por grupos de feministas e o conteúdo tirado do ar.

Em nota, a MTV afirma que, apesar de hospedar e patrocinar o Blog, não partilha da mesma opinião e que os blogs parceiros tem que respeitar as leis vigentes no país. Como resposta ao ataque das feministas, o blogueiro passou a postar fotos de mulheres com cartazes: “Sou mulher, acesso o Testosterona e tenho senso de humor”. Como se fosse absurdo as mulheres se ofenderem com piadas sobre estupros e fosse um problema de falta de humor delas não achar graça nesse tipo de “piada”. Ultimamente, algumas pessoas que se dizem “comediantes” defendem a liberdade de expressão para ofender e humilhar as minorias.  Colocando-se como arautos do humor no país, eles acreditam que vale tudo para fazer piada. Mesmo pregar a violência sexual num  país onde são registrados 15 mil estupros por ano, de acordo com as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher!

Diante desse contexto, cabe perguntar ao “blogueiro” e às mulheres que compactuam com esse tipo de baixaria: qual é graça em fazer APOLOGIA AO CRIME? As piadas “politicamente incorretas” só reforçam os preconceitos já existem na sociedade, elas não questionam as regras, elas não se chocam com a desigualdade, não causam um deslocamente de olhar, nem questionam os estereótipos. Elas só reproduzem e reforçam situações de preconceito,  violência e machismo, ofendendo e constrangendo quem já é oprimido.  Esses comediantes fazem piadas para si mesmo e para seus pares, divertindo-se explicitamente em cima da dor que provocam no Outro.

No Brasil, historicamente, o preconceito é revestido de humor.  Niguém se considera preconceituoso, mas as piadas contra os negros continuam circulando por aí. Não somos machistas, mas é engraçado ver uma mulher ser forçada a fazer sexo contra à vontade ou tirar um sarro do “gay”.  Dessa maneira, a “graça” disfarça o preconceito e as consciências podem dormir tranquilas. Mas, o que precisa ser dito é que esse tipo de humor é compartilhado socialmente porque exprime  a violência intrínseca do grupo a qual pertence. Além disso, essas piadas justificam a discriminação social, estabelecendo a lógica dominante sobre quem precisa ser avacalhado, escrachado. Esse humor nos oferece a possibilidade de compreender historicamente a formação dos estereótipos, bem como compreender o modo perverso como se processa a reafirmação do preconceito. Nesse contexto, a MTV tem responsabilidade sim sobre os portais que ela hospeda. Por isso, precisamos saber exatamente como a rede se posiciona em relação ao Blog Testosterona: ela continuará PATROCINANDO  um blog com conteúdo claramente ofensivo às mulheres brasileiras, vitimas ou não da violência sexual?
Leia abaixo, a resposta da MTV:

Olá,

Nós da MTV Brasil recebemos diversas mensagens e reclamações a respeito do post publicado em um dos nossos blogs parceiros, o Testosterona.
Viemos aqui esclarecer que apesar do conteúdo publicado em nossos blogs parceiros não refletirem a opinião da MTV Brasil, todos eles conhecem as cláusulas contratuais do que pode e o que não pode ser postado de acordo com as leis vigentes em nosso país.
O responsável pelo blog já retirou o conteúdo do ar e nós da MTV já comunicamos o Youtube a respeito do conteúdo ofensivo do vídeo em questão.

Att,
MTV Brasil.

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“Boa na cama” para quem?

Hoje, vamos falar de sexo. Essa coisinha gostosa que nos faz tão bem…Saiu mais uma dessas milhares de pesquisa que tentam provar que as gordinhas são melhores na cama. A fabricante de camas Silent Night financiou a pesquisa e descobriu que 89% dos homens pensam em ter uma parceira gorda e que as moças de tamanho GG fazem 5 vezes mais peripécias na cama do que as magras. Além da curiosidade para saber como são feitas essas pesquisas, a pergunta que não quer calar é: as gordinhas acham realmente que esse tipo de estudo vai trazer algum beneficio para elas?

Eu até entendo que a gente desenvolve algumas habilidades como diferencial competitivo, mas essa pressão toda para ser a super mega plus femme fatale é um pé no saco! Eu não quero ter mais essa pressão sobre mim. TER que ser boa na cama é uma armadilha tão cuel para a gente quanto ser deixada de lado. O que esta implicito nessas pesquisas é muito simples: “as gordinhas vão fazer de tudo para satisfazê-lo, meu caro. Por isso, elas são melhores!”

Tive uma história no passado e o moço em questão não parava de falar que eu era a mulher mais incrivel que ele já tinha conhecido, que eu era a mulher mais carinhosa,  a mais doce do universo e blá blá blá… Até que um dia ele resolveu contar que só “pegava gordinhas” porque elas se esforçavam mais para agradá-lo. Resultado: broxei na hora, minha gente. A mulher mais doce do universo tornou-se a mulher mais fria da Galáxia. Afinal, o ato sexual pressupõe reciprocidade, troca. Sexo não deve se resumir a um desempenho. Fazer sexo deveria  ser tão natural quanto tomar um banho. Eu não quero ter a preocupação de estar fazendo ou não isso corretamente. Não quero ter o meu desempenho avaliado a cada transa, com plaquinhas levantadas com notas 10,9 ou 8. Eu não quero pensar em quantas piruetas eu vou ter que dar para deixar alguém satisfeito. Nem aceito que institutos de pesquise definam meu comportamente na cama.

O ato sexual não pode se resumir a uma performance, a um espetáculo.  Sexo é alegria, é tesão, é improviso. Eu espero encontrar alguém que não me reprove se eu acidentalmente bater a cabeça na parede, se tropeçar enquanto tiro a roupa ou se a pressão dos meus lábios molhados provocar algum barulho estranho. Afinal, existe uma maneira certa e maneira errada de transar? Eu me abstenho da técnica. Prefiro transar com o meu instinto, com a minha capacidade de entrega, sem ligar para o que esperam do meu estereótipo. Isso não é um teste. Dados estatísticos não são suficientes para provar o que sou ou o que posso ser com alguém que me interessa. A qualidade da transa vai depender da pessoa com quem se está, dos sentimentos envolvidos, da autoestima e de fatores que não podem ser mensurados. Temos ritmos infinitos, combinações distintas, milhares de possibilidades. Por isso, explore cada experiência. Divirta-se! Faça um denguinho gostoso, sem a preocupação de ter que a ser a melhor. E lembre-se do que o velho amigo Foucault nos diz: ‘Talvez possamos também dizer que fazer amor é sentir seu corpo próximo de si mesmo, é finalmente existir fora de qualquer utopia, com toda sua densidade nas mãos do outro“.

Sugestão das Mina # 2: Maternidade e sexualidade

A sugestão de hoje foi da Ana Paula Lavos, que pediu para a gente falar sobre o corpo da mulher durante a gravidez e a relação entre maternidade e sexualidade. Para falar sobre o assunto pedi a ajuda da minha amiga de longas datas, Kalu Brum. Kalu é Mãe do Miguel, jornalista,doula, uma militante do parto domiciliar/humanizado e da amamentação. Escreve no site Mamíferas, além de ser mestre de reiki e meditação. Kalu, muito obrigada pelo post e pela disposição em ajudar na manifestação dos mais diversos femininos!

Ponto GG é Parir

por Kalu

Foto: Paula Lyn

Post encomendado pela minha querida amiga, Beatriz Saraiva, para um novo projeto chamado Ponto GG sobre o corpo feminino da mulher grávida.

Passei uma vida brigando com a balança e minhas naturais formas arredondadas. Queria, como as outras, ser magra – loira e alta, de preferência, mas como não se muda genética, magra estava bom. Dietas malucas tão curtas. Períodos PP com mau hálito de fome e humor de bruxa, tudo para virar a princesa que se sonha.

Até que a vida vem e instala uma outra vida dentro da gente. Vieram os enjôos infinitos e um emagrecimento forçado em que, durante vários dias passei com a cara enfiada na privada.

Os seios doloridos e avolumados. O ventre que se arredonda. Estranhamente o corpo redondo revela sensualidade. Todo o corpo sorri em êxtase. A vida toda ele se preparou para este momento de plenitude. Cabelos volumosos, pele brilhante. Gestar é pura sensualidade. Muitas mulheres, é verdade, lidam com total falta de libido. Mas muitas, como eu, experimentam o contrário.

Já não se luta contra o arredondar. A medida que o corpo se avoluma a sensualidade explode. Até que vem o cansaço, o inchaço do fim da jornada. Até que o corpo é inundado com hormônios. Pasmem: os mesmos hormônios que fazem com tenhamos aquele orgasmo sensacional são os mesmos que experimentamos ao parir.

Ao contrário do que diz nossa falsa sociedade, a mãe é mais Maria Madalena do que Virgem Maria. Começam vestidas, acanhadas com seus gemidos baixinhos e terminam gritando e gemendo como mulheres que sabem gozar de corpo e alma. Um parto bem vivido se assemelha a uma cena sexual. Pode parecer estranho, mas o parto é mais uma vivência sexual da vida da mulher.

Aquela vagina apertadinha, depilada dos filmes pornôs que recebem grandes falos, ideal do imaginário masculino, se abre, peluda, para a passagem do bebê. E a mulher que conseguiu ter um ambiente respeitoso, pode até viver a experiência de um orgasmo com a criança ao nascer..

Em nossa sociedade casta, fazem cesáreas e lipoaspirações nas mulheres. Fêmeas que se deitam em ambientes inóspitos para entregarem seus corpos para o símbolo da sociedade patriarcal: o médico que determina a hora que a criança vai nascer, privando a mulher da vivência biológica/sexual. A vagina deve servir apenas ao homem e não a sua função biológica primitiva. Uma vagina que pari é uma vagina aberta (ela volta ao estado natural, viu?!), indesejada.

Como aquela bela mulher magérrima sem vontade nenhuma de fazer sexo que acredita que sua beleza basta para se ter boa transa. Como uma boneca de pano, recebe um falo e finge sentir prazer. Perpetua-se a idéia de que esse é o caminho da felicidade.

Da mesma forma a mulher que por opção ou enganação médica (e poucas, muito poucas que realmente precisaram) deixou de viver a experiência de um parto natural e difundi a idéia das cesáreas indolores, assépticas e programadas. Como as belas mulheres frígidas que passam a  idéia de serem furacões (vale ver Sete dias com Marylin para ver que Moroe era mais uma menina do que um vulcão sexual).

Parto é sexo, já comprovou o obstetra Michel Odent. Para se parir com prazer é preciso das mesmas condições de um ato sexual: pouca luz, ambiente quente, não observação, excluindo médicos dedudos que fazem exames de toque constantemente (ou com seu bisturi mágicos a ejaculação precoce do feto).

Uma mulher parindo exala ocitocina, hormônio do prazer. Gemem, rebolam, sorriem, choram, se entregam, entram em estados alterados de consciência, Transformam-se. Se abrem 10 centímetros e vivem (ou não) a experiência mais inesquecível de suas vidas.

Uma mãe sexualmente potente, desperta, inteira, a receber uma cria nos braços. Com o cordão ainda pulsando, com os olhos abertos, sem choros e separações, segura, sem estar amarrada, o filho no colo, experimentando o êxtase de dar a luz.

Seus corpos GG exibem total sensualidade e internamente, exaustas e felizes sentem o maior “gozo” de suas vidas.

Recentemente vi uma polêmica pesquisa que afirma que as gordinhas são melhores de cama. Lanço uma louca teoria: será que quem pariu também não era ou se tornou? Por aqui as cosias ficaram melhores (passado o puerpério).

Os diferentes tons da dominação

Estou às voltas com o tema dominação, em função do livro  “Cinquenta Tons de Cinza“, o primeiro volume da trilogia de E. L. James. Li a coluna de Contardo Calligaris na Folha e uma questão não me saiu da cabeça desde então: o que faz uma pessoa desejar ser aniquilada por outra? Em busca de respostas, comecei a ler o livro e cheguei a conclusão que essa fantasia só nos interessa porque nos constitui.  Tanto é que o livro tornou-se um fenômeno literário que já bateu recordes de vendas, com mais de 3,6 milhões de exemplares vendidos, além de ser  traduzido para idiomas, como chinês, russo, sérvio e vietnamita.

Nos Estados Unidos, grupos de mulheres que sofrem violência doméstica planejam queimar cópias de “Cinquenta Tons de Cinza”, segundo o jornal britânico “The Guardian”. As feministas acusam o livro de incitar a violência contra as mulheres, “ao oferecer um guia completo de como torturá-las”. No entanto, praticantes do sadomasoquismo afirmam que esse tipo de sexo é uma forma de transgredir o sexo normativo e politicamente correto.  Uma possibilidade de se entregar ao aniquilamento do próprio desejo.  Resta-nos saber quais as implicações reais desse “perder-se” no outro para as mulheres.

O romance conta a história do relacionamento sadomasoquista entre o bilionário Christian Grey e a estudante Anastasia Steele. A estudante é inexperiente e descobre o sexo com Christian, mas vive o conflito entre manter o romance com ele, por quem está apaixonada, e abrir mão da própria autonomia no papel da submissa. No entanto, em alguns momentos fica claro que é Grey quem se torna escravo desse desejo, pois não consegue se relacionar de outra maneira. O livro é interessante exatamente por tratar das questões do sexo e da dominação em suas nuances. Há um gradiente das práticas violentas envolvidas numa relação sadomasoquista e momento em que os próprios papeis são colocados em cheque. Como bem lembra Calligaris,  “a fantasia é um objeto de negociação, não só dentro do casal (entre o que você gosta e o que eu aceito –e vice-versa), mas sobretudo no âmago do indivíduo, entre o que a fantasia de cada um imagina e o que cada um, de fato, aguenta”. 

Christian e Anastacia discutem os termos das relações, vão se descobrindo, conhecendo os segredos um do outro e estabelecendo os limites desse relacionamento. Mas, não consigo parar de pensar: até quando? Depois de viver uma situação de violência – mesmo que consentida – é possível deixar essa experiência somente entre quatro paredes? Os envolvidos – tanto o dominador quanto a escrava – conseguem de fato separar a fantasia da “vida real”? Se sim, pergunto mais uma vez: até quando?

A antropóloga Judith Butler afirma que ninguém faz o gênero sozinho. “O gênero é uma prática de improvisação em um cenário de constrangimentos.” Na relação de dominação representada no livro, o casal encena a desigualdade entre os sexos, reforçando  e fazendo uma paródia dos modelos que demarcam a diferença entre o “ativo” e a “passiva”. A escrava sexual tem que estar disponível sempre que ele quiser, não pode se negar a atendê-lo, precisa prestar contas sobre o que come, quantas horas dorme, sobre o que veste, enfim, ela outorga para o amante o controle total sobre o seu próprio corpo. Nesse contexto, a pessoa consegue viver fora do sexo?  Ainda que seja um acordo que pressupõe o consentimento, a reciprocidade e a performance é possível demarcar tão claramente os limites entre o prazer e o perigo nesse contexto?

No livro, Christian é caracterizado como um dominador ‘romântico’, que respeita os limites da dor da parceira, nega-se a emprestá-la para outros dominadores e até abre mão de algumas regras para satisfazê-la. No entanto, mesmo nessas condições, a relação está baseada na violência (física ou psicológica) que o dominador exerce sobre “sua” parceira. É lógico que o papel da submissão não é uma prerrogativa do sexo feminino. Mas, entre homens o papel do submisso tem uma diferença fundamental: o poder simbólico do dinheiro. Quando um homem é submisso – seja na relação com um dominador ou com uma dominatrix – é ele quem paga a conta. E isso faz toda a diferença porque, no fundo, ele sabe que é ele quem define as regras do jogo. Numa relação heteronormativa a submissão da mulher é praticamente total, ela esta subjugada sexualmente, economicamente e fisicamente. Por isso, nesse sentido, a fantasia não é oposto do real: o corpo encena as relações entre violência, gênero e erotismo, reafirmando os diferentes tons de dominação que existem entre esses papeis.

Sofia, a vida é curta demais para valores tão “PP”!

Estão tentando convencer minha sobrinha Sofia, de 9 anos, que ela é feia porque está acima do peso. Em função disso, ela não quer mais tirar fotos e nem participar da apresentação de street dance porque não se sente bem com a roupa. Por isso, peço licença aos meus leitores para deixar um recadinho para ela:

Sossô, eu podia começar esse post elencando várias mulheres lindas que são gordas ou tentar de convencer que tudo vai ficar bem no “maravilhoso mundo dos gordinhos”. Mas, não vou te iludir: se ficar gorda, você vai ter que conviver com piadinhas, apelidos, com a maldade das crianças criticando o seu corpo, vai ser parada na rua por milhares de outras velhinhas que vão te repreender porque está acima do peso e que ainda vão se sentir no direito de receitar dietas ou remédios “milagrosos”, vai ter que conviver com a vigilância das pessoas nas festas, com o controle constante sobre o seu prato, com a insegurança quando se apaixonar e a pressão para entrar no padrão. O medo da rejeição vai estar presente e você vai ter que arranjar estratégias mil para sobreviver nesse ambiente hostil. Mas, o que você NUNCA pode esquecer é que NINGUEM, mas NINGUEM tem o direito de dizer o que você precisa ser.  Eu só espero que você entenda que se alguém acha você menos bonita porque está acima do peso, é essa pessoa que tem problema e não você!

É você, só você que vai escolher o que vai fazer da sua vida, Sossô. O mundo é fabuloso porque é diverso, porque é complexo, porque é múltiplo. Há pessoas de todos os tipos, cores e texturas. Há infinitas possibilidades e diferentes modos de vida. Definitivamente, não é a balança que vai definir o seu futuro! Ela pode e vai interferir nas suas decisões, mas é VOCÊ que vai escolher o PODER que quer para si. Independente de ser grande, gorda ou magra a escolha será sempre SUA. Se quiser ser a gatinha da turma, vai ter que fechar a boca, correr, fazer exercício. Se não tiver a fim, vai ler, vai estudar, vai conhecer outras culturas, vai se fortalecer para conseguir lidar com a violência do mundo!

Na Grécia antiga, o mundo era separado entre homens de “sangue fino” ou “sangue grosso”. Isso definia o destino de cada um: os de sangue fino eram destinados ao mundo do pensamento e das Artes e os de sangue grosso iam para a luta e para os esportes. Apesar de ser uma imposição social, cada um aprendia a conquistar o seu espaço de acordo com as suas habilidades e diferenças. Qual a moral dessa história? A diferença sempre existirá de um jeito ou de outro. Mas, se você não reconhecer onde está sua força e sua fraqueza nunca irá adiante. O Homem das Artes que quisesse lutar como um guerreiro estava fadado ao fracasso. Assim como o homem do esporte tinha consciência que seu repertório era limitado para discursar numa ágora. Isso não quer dizer que o mundo tem que ser separado em guetos e que um lado não possa transitar no outro. Mas, que cada ser humano tem que assumir o que tem de melhor dentro de si. Você vai descobrir quais as suas particularidades, as suas habilidades e aquilo que tem de melhor. É essa superioridade que você tem que tomar para si. Por isso, se posso te dar algum conselho é: se EMPODERE!

Reconheça seus talentos, assuma a sua beleza – independente do padrão imposto pela mídia – invista na sua inteligência e autoestima. Leia, exercite sua criatividade e sua mente. E, manda para o inferno qualquer pessoa que tente te convencer que você precisa ser igual a todo mundo. É lógico que você precisa entender o que a comida está representando para você, pensar na mensagem que quer passar quando está comendo. Mas, para que você não se torne refém das suas próprias carências. No resto, seja o que você quiser: Gorda ou magra, eu sempre vou te amar.  Você tem o mundo pela frente e todas as possibilidades à sua disposição. Por isso, escolha uma roupa que se sinta bem, suba naquele palco e ARRASE! Eu vou estar lá para ver você sorrindo, brilhando e mostrando para todo mundo que você é muito maior do que esses valores tão “PP”.

“Meus seios são duas bombas”: a nudez como arma politica

A ideia desse post nasceu da pergunta que uma grande amiga fez  para mim sobre o post do Project Nu, publicado na ultima sexta-feira: “por que a mulher gorda para ser aceita também tem que exibir o corpo?”.  Argumentei que era necessário tornar visível o que até então estava escondido, que era uma maneira de questionar o padrão de beleza vigente e bláblá blá… Mas, ai ele me deu um Xeque-mate: “Mas, o objetivo é tornar o corpo gordo tão objeto quanto o magro? A gordinha quer que em vez da loira gostosona, ela apareça nua no comercial de cerveja? Afinal, por que as mulheres continuam usando o corpo para se manifestar? Isso não é cair exatamente naquilo que elas pretendem combater?”

Confesso que não tenho uma resposta segura sobre o assunto, mas faço aqui um exercício de compreensão com base em algumas leituras.  Sem dúvida, a exposição dos corpos está ligada a uma espetacularização dos movimentos sociais. Mas, possivelmente, esse espetáculo está revestido de novos sentidos. Como bem lembrou meu best friend, Aramis, “não se trata de fazer da bunda da gorda a bunda da propaganda, mas de refletir e agir em relação a um tabu que emerge como norma”.

Nesse sentido, o corpo nu ganha uma dimensão politica sem igual. O que precisa ser contido, privado, escondido, torna-se uma midia, um meio pelo qual os grupos minoritários se expressam, tomando para si o controle de seus corpos. Ao longo da História, diversos grupos têm usado a nudez como forma de protesto. Os Doukhobors, grupo de refugiados da Rússia no Canadá, desde o século XIX, usavam o corpo nu para se manifestar. As feministas queimaram os sutiãs para falar da dominação masculina, em 1968. Atualmente, o FEMEN, grupo de feministas da Ucrânia, adotou a nudez como “arma de campanha”. Num pais aonde 80% das mulheres estavam desempregadas e a maior perspectiva delas era encontrar um marido ou ir para a prostituição, essas jovens tiverem que escolher entre serem manipuladas pela mídia ou manipulá-la. Afinal, por 1 ano e meio elas protestaram contra as péssimas condições de vida sem tirar a roupa e foram ignoradas. Elas  só tiveram a repercussão mundial que tem hoje quando passaram a protestar de peito de fora. Hoje, a organização conta com representações em 27 países, incluindo o Brasil. Não é toa que Aleksandra Sacha, uma das lideranças do FEMEN, afirmou: “Meus seios são duas bombas!

Independente do uso que a mídia faz desses protestos, a nudez atua como um recurso para chamar atenção para as causas levantadas. No Brasil, por exemplo, a Marcha das Vadias só ganhou expressividade em território nacional depois que as mulheres tiraram a camisa.  Ao fornecerem as imagens para uma mídia obcecada pelo sexo, os corpos se convertem em panfletos para denunciar, informar e chamar atenção para a causa das mulheres. Eles incorporam o discurso e usam a mídia para que sejam lidos. Ou seja, os corpos são usados num ato de inversão. Dessa forma, não se trata de usar o corpo para vender a cerveja, mas sim de exibi-lo para vender idéias.

E você, o que acha da nudez como forma de protesto? Deixe a sua opinião e participe da enquete.

Sugestão das Mina # 1

Marina Sathler indicou para o Blog.

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